Quer viver mais?

Por Gabriela Vogado e Paulo Rocha


Pesquisas comprovam que a prática de esportes aumenta a expectativa de vida. Na terceira idade, também não é diferente


Atleta da terceira idade na aula de natação

Um estudo feito na universidade de Harvard comprovou que indivíduos que param de praticar esportes têm um aumento de 35% no risco de morte em relação aos que continuaram praticando. Já as pessoas que começaram a praticar esportes experimentam um índice de morte 21% menor comparado àqueles habitualmente sedentários.
Não é novidade pra ninguém que com a prática continua de uma atividade física, e uma alimentação saudável, é possível prolongar, com qualidade, a expectativa de vida. Hoje em dia, já existe um nicho de mercado especializado nessa geração, com diversas formas de exercício que comprovadamente melhoram a vida dos praticantes em diversos níveis.
Desde pacientes em depressão, até com problemas locomotores a atividade pode ajudar, conta o fisioterapeuta Luiz Gustavo. “A atividade física para a terceira idade é fundamental para uma boa qualidade de vida”, porém o fisioterapeuta ressalta a importância de um acompanhamento durante a prática do exercício.
Aparecido, 61 anos, começou a nadar com 40 anos de idade, pois sentia que estava ficando sedentário. Entre os vários benefícios que o aposentado lembra está a melhora no humor e o ganho de disposição após a prática esportiva. “Comecei a nadar com orientação de professores, agora após 20 anos de prática, eu prefiro nadar por conta própria” explica Aparecido.
A estrutura fisiológica do idoso requer mais cuidados se comparados a de um adulto jovem, reitera Luiz Gustavo. “A realização de atividades faz com que hormônios, como a testosterona e a endorfina, sejam liberados, causando uma sensação de prazer”, o que ajuda a elevar a autoestima do praticante.
Já existem em diversas cidades, academias para a terceira idade, localizadas em parques públicos. Basicamente, ela funciona como um circuito. São exercícios que visam movimentar as articulações, sem carga demasiada de peso.
Contudo, vale lembrar que é sempre bom ter um profissional acompanhando. E é preciso ir ao médico antes de iniciar as atividades físicas. Assim o idoso receberá um melhor direcionamento para a prática desportiva mais adequada.
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Lei que obriga a instalação de bicicletários no Distrito Federal é aprovada pela Câmara Legislativa

Especialistas acreditam que mais do que leis é preciso uma mudança de cultura



Por Dener Giovanini e Erika Suzuki


Lei que obriga a criação de bicicletários em locais com grande fluxo de pessoas foi aprovada esta semana pela Câmara Legislativa do DF. Estacionamentos, shoppings e prédios de escritórios e de órgãos públicos, por exemplo, terão de construir espaços apropriados para a guarda de bicicletas. O prazo para as empresas cumprirem a lei é de dois anos.

A iniciativa, de autoria do deputado Rôney Nemer, ainda prevê equipamentos em que seja possível prender as rodas das bikes. O objetivo é aumentar a segurança de quem guarda as bicicletas nesses locais.

Essa não é a primeira lei a obrigar a instalação de bicicletários em pontos de grande circulação de pessoas no DF. Outras nove leis já existem, além da lei Orgânica. O presidente da ONG Rodas da Paz, Uirá Lourenço, acredita que a medida é pertinente, porém se mostra reticente quanto à eficácia da nova lei.

“Espaços adequados para a guarda de bicicletas são necessários, porém a medida deve sair do papel”, diz Uirá.

Ele vai ainda mais longe. “Acredito que, mais do que leis, é preciso haver uma mudança de cultura. É possível usar a bicicleta para se locomover no dia a dia, mesmo que a cidade não esteja adaptada”, defende.

Uirá utiliza a bicicleta como meio de transporte há 12 anos em Brasília. Vai ao trabalho de bicicleta e leva as crianças para a escola na garupa todos os dias. Ele garante ser seguro. “Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, pedalar nos horários de trânsito pesado é menos arriscado porque os carros estão parados nos congestionamentos”, observa.

Hoje, há uma frota crescente de mais de 1 milhão de veículos no Distrito Federal. Em 2011, 36 ciclistas morreram em acidentes de trânsito no DF, o que representa 8,6% do total de vítimas fatais, sendo que 22 deles pedalavam em vias urbanas e não em rodovias.

Presidente da ONG Rodas da Paz, Uirá Lourenço (Elza Fiuza / ABr)









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Da construção civil para obra de arte feita de papel

Por Danielle Rodrigues e Juliana Rabelo

O engenheiro Virgílio  Mota trocou os canteiros de obra pelo trabalho com materiais reciclados

O mestre da arte de reciclar Virgílio Mota, de 60 anos, é baiano da pequena cidade de Amargosa (BA). Ele é artesão da Tempo Eco Arte, espaço de artes e ofícios dedicado à reutilização de resíduos sólidos.

Virgílio trabalhava na construção civil e há mais de 12 anos começou a fazer artesanato em PVC por acaso. Logo, passou para o papelão, onde deu início à produção de caixas de papelão para o transporte das obras feitas com o PVC. Depois do encontro com a artesã Carol Nóbrega, parceira e incentivadora nos trabalhos com o papelão, decidiu deixar a construção civil de lado e dedicar-se apenas ao artesanato de reciclados.
Na arte de Virgílio, praticamente todo o material usado veio ou iria para o lixo. Peças de geladeira, de automóveis, tubos de papelão e sacos de cimento usados ganham forma nas mãos do artesão, que dedica extrema atenção a todas as etapas da produção: do esboço ao acabamento.

“Trabalhamos com o conceito de reciclagem. Por ignorância, desperdiçamos matéria-prima valiosa. Papelão só é lixo para os olhos que o veem com lixo. Para mim é uma raridade”, afirma.

Para a confecção dos objetos, nada além de tesoura, cola, cera e criatividade. “Não há nenhum tipo de reforço, é tudo de papelão mesmo. Um dos tratamentos é lavar os sacos de cimento para tirar os restos de massa”, detalha.



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Sacos de cimento viram matéria-prima para obra de arte

Por Danielle Rodrigues e Juliana Rabelo

O engenheiro Virgílio Mota desenvolveu técnica que reaproveita restos da construção civil


O artesão Virgílio Mota abandonou a engenharia civil para realizar experiências para ver a plasticidade,a resistência e todas as possibilidades que o saco de cimento e o papelão poderiam oferecer para a produção da sua arte. Hoje, o forte de seu trabalho são as obras confeccionadas com papelão e sacos de cimento reaproveitados de obras de construções.
O processo de reciclagem do saco de cimento usado por Virgílio é bastante simples. Após o corte correto do saco, para não estragar ou espalhar pequenos resíduos de papel (além de não desperdiçar cimento), as embalagens devem ser separadas e lavadas com água reaproveitada dos vizinhos: a água utilizada na lavagem das roupas tem qualidade excelente para o trabalho, por conter sabão e amaciante, elimina todo resíduo de cimento do papel.
O formato dos objetos vem do papelão, o acabamento dos sacos de cimento e a durabilidade de uma camada de cera que garante a impermeabilidade.
Virgílio pretende para os próximos meses dispor de mais um local para o reaproveitamento das sobras dos materiais que são usados por eles. Além disso, a Universidade de Brasília pretende criar em sua grade curricular para o ano de 2012 uma matéria em parceria com a Tempo Eco Arte.
Com diversos projetos em mente e a procura de apoio para desenvolver idéias como a reciclagem de vidro para ser aplicada na construção civil, Virgilio segue com sua arte.
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Moradores de rua podem contar com o apoio de equipes especializadas

Por Camila Ferreira e Veltz Capone


O governo do DF tem um setor que realiza a triagem e a identificação dos moradores de rua. Os profissionais são treinados para fazer a aproximação e a abordagem sem causar conflitos. A equipe faz a identificação de dependentes químicos e alcoólatras, verificando há quanto tempo a pessoa esta na rua.
A equipe tenta localizar a família e as instituições de acolhimento pelas quais já passou para, então, por meio de estudo de caso, traçar estratégias de reabilitação.

O Sistema de Garantia dos Direitos, órgão responsável por reparar danos de violência, abuso e defesa dos direitos, promove ações como a reinserção familiar e comunitária, o acolhimento institucional e a internação em centro de tratamento para dependentes químicos. Os locais da abordagem são definidos por mapeamento das denúncias pela atuação das equipes nas Regiões Administrativas.

A Sedest informou que está em andamento um projeto para a construção de três novos albergues de atendimento a públicos específicos. Além disso, o projeto também prevê a construção de dois centros especializados em população de rua.
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Ações da Sedest

Por Camila Ferreira e Veltz Capone

Ações realizadas pela SEDEST:


•         Abordagens sociais sistemáticas, com objetivo de construção
de um processo educativo que vise a desconstrução do espaço das ruas
como única alternativa de local para pernoite e meio de sobrevivência;

•         Encaminhamento para Unidades de Acolhimento Institucional,
caso a pessoa esteja de acordo;

•         Acompanhamento sistemático por equipes especializadas
(psicólogos, assistentes sociais) nas unidades de proteção social da
Secretaria – CRAS e CREAS, visando à garantia dos direitos;

•         Análise das demandas individuais e encaminhamentos que se
fizerem necessários;

•         Conscientização da população em geral, por meio de campanhas
educativas e informativas, sobre o uso do espaço público e sobre a
problemática da população em situação de rua.

•         Disponibilizar o telefone SOS Cidadão- 0800-647-1407 para
que a população de Brasília faça denúncias sobre violações de direitos
sociais.
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Mais de duas mil pessoas moram nas ruas do DF


Por Camila Ferreira e Veltz Capone
Moradores de rua vivem á margem da sociedade, sem acesso à saúde e educação
Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estaística (IBGE) mostraram que, no Brasil, há cerca de 192 milhões de habitantes. Desse número, estima-se que de 0,6% a 1% da população more na rua, cerca de 1,8 milhões de pessoas. A pesquisa relatou que a maior dificuldade
na reabilitação é o vício em bebidas alcoólicas, causando problemas familiares e financeiros.

No DF, o quadro não é muito diferente, um levantamento feito pelo Censo da População em Situação de Rua do Distrito Federal, ação do projeto Renovando a Cidadania, da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP/DF), apontou que 45,3% dos moradores de rua estão nessa situação há mais de três anos e que 77% não têm casa para retornar.
É o caso de Ednei Lopes da Costa, 34 anos, nascido na Bahia, há 15 anos mora nas ruas do DF e ganha dinheiro praticando malabarismo nos sinais de trânsito. Ele conta que trabalhou em várias fazendas e sítios em Luziânia (GO) e que foi depois de assistir a uma reportagem sobre malabarismo na TV que decidiu ganhar a vida assim. “Fiquei encantado com aquela arte. Arrumei dois paus e ficava jogando
para cima até enjoar”, relata Ednei,conhecido como Foguinho.
Ednei prefere morar na rua, mesmo sabendo da existência de albergues públicos. “Faturo entre R$ 40 e R$ 50 por noite, esse negócio de albergue é perigoso e não sou obrigado a ir. Até trabalhando já fui levado pela polícia para acareação. Não sou bandido, trabalho igual a todos”, afirma.
“Os moradores de rua são tratados como se fossem criminosos que precisam ser punidos e não protegidos. Muita gente não os vê como pessoas que têm direitos”, observa Camila Potyara, socióloga e consultora do projeto Renovando a Cidadania, responsável pela pesquisa
sobre pessoas em situação de rua no Distrito Federal, da Universidade de Brasília (UnB).
Para a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do DF (Sedest), as políticas públicas voltadas aos moradores de rua devem ser pensadas de forma intersetorial e integral. De acordo com a assessoria da Sedest, existem 11 fiscais distribuídos entre a Asa Sul e Norte para cuidar dos moradores de rua.
A Secretaria disponibiliza um canal chamado SOS Cidadão (0800-647-1407) para a população de Brasília.
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